PSOL recorre ao TSE contra desistência de Garotinho em processo sobre candidatura e contagem de votos
06/10/2026
(Foto: Reprodução) Garotinho desiste de recurso no TSE
O PSOL-RJ protocolou na noite desta segunda-feira (5) um recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para contestar a desistência e a tentativa de retirada do recurso apresentado pela defesa de Anthony Garotinho (Republicanos) no processo que discute o registro de sua candidatura ao governo do RJ.
Segundo o partido, o objetivo é garantir que os votos recebidos por Garotinho continuem sendo tratados de acordo com as regras eleitorais e que os efeitos sobre o resultado do 1º turno sejam definidos pela Justiça Eleitoral, e não por uma decisão unilateral da candidatura.
A discussão ganhou importância porque os 274.411 votos (3,17%) recebidos por Garotinho no domingo (4) podem definir se a eleição terá ou não 2º turno. Douglas Ruas (PL) teve 4.271.199 votos (49,27%), ficando a 0,73 ponto percentual de alcançar a maioria dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes (PSD) recebeu 3.706.984 votos (42,76%).
A iniciativa do PSOL ocorre após a defesa de Garotinho pedir ao TSE a desistência do recurso contra o indeferimento de sua candidatura. O pedido foi protocolado nesta segunda-feira (5) e ainda depende de análise da Corte.
Em nota pública, o PSOL argumenta que o tribunal deveria ter concluído antes da eleição todos os recursos relacionados aos registros de candidatura. Para a legenda, como isso não ocorreu, não cabe a um candidato retirar o recurso após a votação e produzir efeitos diretos sobre o resultado do pleito.
“O ideal dessa situação era o julgamento ter se concluído antes da votação. Como ele se concluiu depois, não pode um candidato que conversou com o outro, que se acertou, retirar o recurso para interferir diretamente no processo eleitoral. A Justiça tem que julgar, analisar, e entendemos que é importante garantir o direito ao 2º turno para a população”, disse o presidente estadual do PSOL, deputado Flávio Serafini.
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Garotinho em entrevista coletiva neste sábado (3)
Reprodução/TV Globo
Reação de Paes
O recurso do PSOL foi apresentado horas depois de Eduardo Paes também reagir à desistência de Garotinho.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Paes classificou a iniciativa do ex-governador como uma tentativa de impedir a realização do 2º turno e beneficiar Ruas.
“Hoje, um dia após a eleição, o país recebe a notícia que o próprio Garotinho decidiu se declarar inelegível ao TSE, para os votos dele serem anulados e o Douglas Ruas ser declarado vencedor. Ou seja, impedir que o 2º turno aconteça. Uma clara interferência no processo eleitoral”, afirmou.
Paes disse ainda que sua campanha havia questionado a candidatura de Garotinho desde o início do processo eleitoral e voltou a chamá-lo de “candidato laranja”.
“A minha campanha desde o começo denunciou que o Garotinho era um candidato laranja. A gente foi para a Justiça, disse que ele não podia ir pra urna por causa dos crimes e condenações e que o único objetivo dele seria tumultuar a eleição, mas a Justiça deixou ele livre, inclusive para ir aos debates”, declarou.
O que está em jogo
Com 100% das urnas apuradas, Douglas Ruas recebeu 4.271.199 votos, o equivalente a 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes teve 3.706.984 votos, ou 42,76%. Garotinho somou 274.411 votos, correspondentes a 3,17% do total, registrados como anulados sub judice.
No domingo (4), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que os votos de Garotinho continuassem sendo considerados no cálculo dos percentuais dos candidatos até decisão colegiada da Corte sobre o caso.
Se esses votos permanecerem na totalização, Ruas fica abaixo dos 50% dos votos válidos, e a disputa segue para o 2º turno contra Paes. Caso a desistência do recurso seja homologada e os votos de Garotinho deixem de integrar a base de cálculo, o percentual de Ruas sobe para 50,88%, o que pode resultar em vitória já no 1º turno.
O TSE ainda não se manifestou sobre o pedido de desistência apresentado pela defesa de Garotinho nem sobre os efeitos que uma eventual homologação poderá produzir no resultado da eleição.